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Este Blogue é um estudo da Associação Projecto Raia Alentejana e tem como objectivo a discussão da violência em geral e da guerra na Pré-História em particular. A Arqueologia da Península Ibérica tem aqui especial relevo. Esperamos cruzar dados de diferentes campos do conhecimento com destaque para a Antropologia Social. As críticas construtivas são bem vindas neste espaço, que se espera, de conhecimento.

Guerra Primitiva\Pré-Histórica
Violência interpessoal colectiva entre duas ou mais comunidades políticas distintas, com o uso de armas tendo como objectivo causar fatalidades, por um motivo colectivo sem hipótese de compensação.


Saturday, 19 February 2011

Chimpanzees team up to attack a monkey in the wild - BBC wildlife

Violência e Etnografia: os Zulu.

A tribo dos Nguni emigrou no séc. XIV para a costa Sudoeste de África e deu origem ao chefado dos Zulu.
Este povo de pastores já conhecia uma guerra ritual e geralmente por causa dos pastos. Os grupos em disputa começavam por se insultar passando de seguida ao lançamento de projécteis de madeira (com a ponta endurecida pelo fogo). Estes lançamentos provocavam algumas fatalidades que terminavam o combate. Os guerreiros que conseguiam matar um inimigo tinham de sair do combate para serem purificados. As disputas eram resolvidas com poucas baixas e o grupo derrotado ficava com as terras menos interessantes (Keegan, 1994, p. 28-29).
No fim do séc. XVIII tudo mudou, o número de cabeças de gado aumentou e o espaço físico não permitiu mais migrações. A cultura do milho trazido da Europa levou ao aumento da densidade populacional. Houve uma tentativa de diminuir a natalidade formando grupos de guerreiros por idades que ficavam separados das potenciais noiva. Isto levou à diminuição da taxa de natalidade e ao aumento do poder do soberano uma vez que tinha estes guerreiros ao seu dispor. (Otterbein, 1997, p. 26-27).
No início do séc. XIX surgiu o chefe Saka, este institucionalizou os regimentos de guerreiros da mesma idade que se tornaram permanentes (Keegan, 1994, p. 28-32). Saka criou uma nova arma (assegai), uma lança curta e já com uma ponta de ferro. Esta arma destinava-se a espetar o tronco do inimigo num combate de curta distância (Keeley, 1997, p. 130). Segundo Otterbein (2004, p. 215) os regimentos de Saka foram treinados a combater juntos formando quatro grupos: centro, duas alas e reserva. O centro atacava o inimigo fixando-o, as alas atacavam os flancos cercando o inimigo e a reserva acabava o trabalho.
A forma de fazer a guerra mudou completamente, passámos de combates rituais, à distância e com poucas baixas para combates de proximidade, realizados por um exército profissional, treinado, disciplinado e que exterminava o inimigo.
O caso dos Zulu é estudado por Otterbein (1997, p. 25-32), para este autor uma nova organização militar, novas armas de choque e novas tácticas mudaram a forma de fazer a guerra. Como consequência aumentou o número de baixas resultante dos conflitos, o exército Zulu cresceu em número, o território deste chefado cresceu em conjunto com o número de tribos assimiladas dando origem a um estado (Saka exterminou populações inteiras e levou a migrações num quinto do território africano). Quando este estado se consolidou iniciou-se um período de campanhas externas com o objectivo de ocupar o exército e saquear recursos.


Bibliografia:
KEEGAN, John (1994) – A history of warfare. London: Pimlico.
KEELEY, Lawrence (1997) - War before civilization: The myth of the
peaceful savage. Oxford: Oxford University Press.
OTTERBEIN, Keith F.(1997) – Feuding and warfare. Amsterdam: Gordon and Breach Publishers.

Wednesday, 16 February 2011

Ancient Cannibals Crafted Cups from Human Skulls

LiveScience

February, 16 2011

It seems as though ancient cannibals had a "waste not, want not" attitude, suggests the discovery of Ice Age cups made from human skulls what may be the earliest ones known, scientists say.

Human skulls have been made into macabre cups and bowls for thousands of years. For instance, in the fifth century B.C., ancient Greek historian Herodotus portrayed the Scythians as people who drank from the skulls of their enemies, and similar traditions have been described by the ancient Chinese historian Sima Qian sometime in the first or second centuries B.C.
Still, archaeological evidence of how skull cups were made is extremely rare. Now scientists have discovered three skull cups in England that are roughly 14,700 years old, the earliest ones that researchers have confirmed ages for and the only ones known so far from the British Isles.

In a site known as Gough's Cave in Somerset, England, skull fragments from at least five people were found - a young child about 3 years old, two adolescents, an adult and an older adult. There were signs that their lower jaws had the marrow sucked out, suggesting cannibalism occurred.

Cut marks and dents on the bones suggest they were scalped and scrupulously scraped clean of skin and flesh with flint tools shortly after death. The crafters then removed the face bones and bases of the skulls from the adults and the 3-year-old, meticulously chipping at the broken edges of the resulting cups, possibly to straighten their rims.

"Possibly the most surprising thing is how skilled at manipulating human bodies these early humans were," researcher Silvia Bello, a paleontologist at the Natural History Museum in London, told LiveScience. "It was a very meticulous process that just proves how technologically advanced this population was. It also demonstrates a very complex funerary behavior."

"It's impossible to know how the skull cups were used back then," said researcher Chris Stringer, a paleoanthropologist at the Natural History Museum. "But in recent examples, they may hold blood, wine or food during rituals."

A precise cast of the skull cup from the adult individual will go on display at the Natural History Museum in London on March 1 for three months.

The scientists detailed their findings online Feb. 16 in the journal PLoS ONE.

Tuesday, 8 February 2011

Conferencia: "Sacrificio humano y canibalismo".

Les recordamos que el próximo SÁBADO día 12 de FEBRERO, a las 11,30 HORAS, se impartirá otra CONFERENCIA en este museo dentro del ciclo 2011. Les ampliamos la información:

CONFERENCIANTE :

Prof. Dr. D. Miguel Botella López
Director del Laboratorio de Antropología de la Universidad de Granada.

Notas.

El canibalismo era una actividad sistemática y ritual en el México prehispánico y durante el Neolítico, prácticamente en toda Europa, según han constatado diversos antropólogos tras el estudio de las marcas que esta práctica dejaba en los huesos humanos.

Desde finales del 3.000 al 2.500 antes de Cristo, el canibalismo era común en toda la cuenca mediterránea europea y en Finlandia, y la carne de los fallecidos se consumía, tal vez para asimilar las virtudes o características del difunto.

Los huesos estudiados, con marcas de cuchillos y de dientes humanos y procedentes de hombres, mujeres y niños, aparecieron en basureros mezclados con restos de los animales que conformaban su dieta, lo que constata el canibalismo en el Neolítico, especialmente en un periodo del que apenas se han encontrado sepulturas. Sólo en Granada se han encontrado once lugares, algunos de ellos en Alfacar, Píñar o Moclín, donde esta práctica era "habitual", pero también son numerosos en la fachada mediterránea del resto de España y en Europa.

La manipulación de los cuerpos humanos para su ingesta (cortes, desuello, descarnado o cocción, entre otros) dejó marcas en los huesos, que han sido analizadas por estos expertos y han permitido determinar "toda la metodología utilizada en lo que constituían acontecimientos ritualizados".

En cuanto a las culturas mesoamericanas, los más de 20.000 restos óseos estudiados por estos expertos han demostrado que el canibalismo era "sistemático" en toda América, lo que "posiblemente indica que lo llevaron los humanos que pasaron el estrecho de Bering cuando ocuparon el continente por primera vez".

Reseña Curricular

Miguel Botella López es Director del Laboratorio de Antropología Física de la Universidad de Granada, de la que es profesor, si bien ha impartido clases en otros centros universitarios como Burdeos e imparte cursos de forma asidua en centros de investigación antropológica de España, Chile, México, Perú, Venezuela etc. Es a su vez coordinador del Programa de Postgrado en evolución humana y antropología física forense de la Universidad de Granada, en el que se matriculan habitualmente alumnos procedentes de diversos países del Mundo. Está considerado como uno de los mejores especialistas del país en estudios de marcas en restos óseos y ha realizado diversos proyectos de investigación , además de en España, en Chile, México, Perú, Venezuela, Egipto y Sudán. Es autor de un gran número de artículos y monografías sobre medicina, antropología física y paleoeconomia.