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Este Blogue é um estudo da Associação Projecto Raia Alentejana e tem como objectivo a discussão da violência em geral e da guerra na Pré-História em particular. A Arqueologia da Península Ibérica tem aqui especial relevo. Esperamos cruzar dados de diferentes campos do conhecimento com destaque para a Antropologia Social. As críticas construtivas são bem vindas neste espaço, que se espera, de conhecimento.

Guerra Primitiva\Pré-Histórica
Violência interpessoal colectiva entre duas ou mais comunidades políticas distintas, com o uso de armas tendo como objectivo causar fatalidades, por um motivo colectivo sem hipótese de compensação.


Sunday, 23 January 2011

Violência e Etnografia: os Maori.

A Polinésia é constituída por milhares de ilhas dispersas por um mar imenso. O Homem conseguiu povoar estas ilhas e manter uma unidade cultural, apesar das distâncias, sem uma língua escrita e com tecnologia ainda lítica. A sociedade Polinésia é constituída por chefados Teocrático formada por clãs em que o chefe é descendente directo dos Deuses e o seu maná maior se for um bom guerreiro.
Os Maori ocuparam a Nova Zelândia em 800 d.C., trouxeram a cultura polinésia atingindo os 200 000 habitantes. Os chefes descendentes dos deuses constituíam uma classe social superior e militarmente especializada. Tinham o poder de taxar e dirigir os trabalhos, podiam assim organizar exércitos, reunir abastecimentos e fornecer transporte, realizando assim verdadeiras campanhas militares de longa distância. Apesar do infanticídio, da intensificação da produção (com o desbravar de novos terrenos e trabalhos de irrigação, por exemplo), do viajar (migrações em busca de novas ilhas) e da guerra os maori não conseguiram parar o crescimento populacional.
O nome dado aos guerreiros é toa, o mesmo das árvores de que são feitas as mocas com que são resolvidas as disputas por insultos, mulheres, propriedade ou liderança (Keegan, 1994, p. 102). A principal função da guerra entre os Maori parece ter sido a distribuição de terras, outros investigadores apontam para a vingança.
A guerra tornou-se de extermínio com o uso de mocas e lanças aguçadas com líticos, osso, conchas ou coral uma vez que os Maori não possuíam metalurgia (Keegan, 1994, p. 103-105). Os combates tinham como objectivo a derrota total e aniquilação do inimigo, o canibalismo e a captura de troféus tornaram-se uma prática comum entre os Maori (Keeley, 1997, p. 100).
Deu-se então uma evolução tecnológica e começaram a aparecer fortificações, já foram identificadas cerca de 4000. Estas fortificações eram construídas em sítios altos, e constituídas por paliçadas, fossos, ladeiras e armazéns de comida. Não são conhecidas armas de cerco, podendo as fortificações ter funcionado como um elemento estabilizador.
Independentemente da função as fortificações evitaram não só um caminho para a destruição total como a própria supremacia de um chefado sobre os restantes (Keegan, 1994, p. 105-106).


Bibliografia:
KEEGAN, John (1994) – A history of warfare. London: Pimlico.
KEELEY, Lawrence (1997) - War before civilization: The myth of the
peaceful savage. Oxford: Oxford University Press.

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