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Este Blogue é um estudo da Associação Projecto Raia Alentejana e tem como objectivo a discussão da violência em geral e da guerra na Pré-História em particular. A Arqueologia da Península Ibérica tem aqui especial relevo. Esperamos cruzar dados de diferentes campos do conhecimento com destaque para a Antropologia Social. As críticas construtivas são bem vindas neste espaço, que se espera, de conhecimento.

Guerra Primitiva\Pré-Histórica
Violência interpessoal colectiva entre duas ou mais comunidades políticas distintas, com o uso de armas tendo como objectivo causar fatalidades, por um motivo colectivo sem hipótese de compensação.


Thursday, 19 February 2009

Evidências de violência interpessoal ou guerra primitiva no registo arqueológico da Península Ibérica

Luis Lobato de Faria

Arqueossítio, País e Período.
Descrição e minha interpretação
Fontes.

Sima de los Huesos, Espanha, Paleolítico Médio.
Vários crânios com várias fracturas curadas. Violência interpessoal ou guerra primitiva.
Cervera et al. 1998, p.143 apud Thorpe, 2003, p. 151.

Moita do Sebastião, Portugal, Mesolítico.
Uma marca de projéctil nos ossos do pé Violência interpessoal.
Lubell et al. 1989 apud Thorpe, 2003, p. 153.

Cabeço da Arruda I, Portugal, Neolítico.
Uma marca de impacto no crânio. Violência interpessoal.
Lubell et al. 1989 apud Thorpe, 2003, p. 153.

Serra da Roupa, Portugal, Neolítico.
Duas fracturas no crânio por depressão, Violência interpessoal.
Silva, 2000

Bóbila Madurell, Espanha, Neolítico.
Uma fossa com dois indivíduos do sexo masculino com os crânios esmagados. Uma ponta de seta cravada numa vértebra lombar. Violência interpessoal ou guerra primitiva.
Osgood et al, 2000, p. 46. Campillo, Mercadal i Blanch, 1993 apud Guilaine e Zammit, 2002, p. 172.

Camí de Can Grau, Espanha, Neolítico.
Uma ponta de seta de sílex cravada no arco de uma vértebra. Violência interpessoal.
Martí, Pou i Carlos, 1993 apud Guilaine e Zammit, 2002, p. 172.

Dólmen de Ansião, Portugal, Neolítico Final \ Calcolítico.
Uma lesão num fragmento de osso do frontal que aponta para uma perfuração por uma ponta de seta e cinco traumas em crânios por fractura. Violência interpessoal ou guerra primitiva.

Silva, 2000.
Poço Velho, Portugal, Neolítico Final \ Calcolítico.
Uma lesão traumática incisa ao nível do exocrânio e diploe provocada por um objecto cortante. Três crânios com depressões. Violência interpessoal ou guerra primitiva.
Antunes-Ferreira, 2005, p. 88.

Eira da Pedrinha, Portugal, Calcolítico.
Uma depressão na região média do lado esquerdo do osso frontal. Violência interpessoal.
Mendes Correa e Teixeira, 1949 apud Silva, 2000.

Monte Canelas, Portugal, Calcolítico.
Duas fracturas cranianas por depressão e uma calote craniana com uma lesão oval no parietal direito. Violência interpessoal ou guerra primitiva.
Silva, 2000.

São Pedro do Estoril, Portugal, Calcolítico.
Uma calote craniana masculina apresenta uma depressão no lado esquerdo do osso frontal. Violência interpessoal.
Silva, 2000.

Leceia, Portugal, Calcolítico.
Presença de restos osteológicos de indivíduos adultos do sexo masculino numa lixeira estruturada. Guerra primitiva.
Cardoso, 1991, p. 80 e 81.

Dólmen de Clara, Espanha, Neolítico Final \ Calcolítico.
Quatro traumatismos cranianos. Violência interpessoal ou guerra primitiva.
Mercadal e Agusti, 2006, p. 44

Cartuja de las Fuentes, Espanha, Neolítico Final \ Calcolítico.
Uma marca de ponta de seta nos restos osteológicos humanos. Violência interpessoal.
Etxeberria i Vegas 1988ª, Campillo 1995 apud Osgood et al., 2000, p. 47.

Cueva de las Cáscaras, Espanha, Neolítico Final \ Calcolítico.
Um projéctil cravado num fémur. Violência interpessoal.
Guilaine e Zammit, 2002, p. 172.

Venta del Griso, Espanha, Neolítico Final \ Calcolítico.
Várias marcas de projéctil nos restos osteológicos humanos. Violência interpessoal ou guerra primitiva.
Etxeberria i Vegas 1988ª, Campillo 1995 apud Osgood et al., 2000, p. 47.

Cueva del Barranco de la Higuera, Espanha, Neolítico Final \ Calcolítico.
Uma lesão no crânio de um dos indivíduos causada por um objecto duro e angular. Violência interpessoal.
Etxeberria i Vegas 1988ª, Campillo 1995 apud Osgood et al., 2000, p. 47

Hipogeu de Longar, Espanha, Calcolítico.
Sepultura colectiva de 112 indivíduos de diversas idades e sexos, não foram encontrados objectos de adorno pessoal, só artefactos em sílex, lascas e pontas de setas. Quatro casos de projécteis em sílex cravados nos restos osteológicos humanos, sendo de supor que outra peças pudessem estar associadas a feridas nas entranhas. Guerra primitiva.
Armendáriz, Irigaray e Irigaray, 1995 apud Kunst, 2000, p. 131 e 132.

San Juan Ante Portem Latinam, Espanha, Calcolítico.
Restos osteológicos humanos de 289 indivíduos, nove feridas por flecha e quatro fracturas de Monteggia, possível inumação simultânea, lesões por detrás em indivíduos masculinos. Guerra primitiva.
Vegas et al. 1999, apud Kunst, 2000, p. 132-133.

Valencina de la Concepción, Espanha, Calcolítico.
Ossadas de dois indivíduos foram encontradas numa vala sem ritual funerário ou outro tratamento especial, faltando algumas partes anatómicas. Guerra primitiva.
Etxeberria i Vegas, 1988a apud Osgood et al. 2000, p. 47.

La Atalayuela, Espanha, Calcolítico.
Depósito de indivíduos realizado num momento, pouca quantidade de artefactos associados a estes indivíduos. Uma ponta de seta cravada no crânio de um dos indivíduos. Guerra primitiva.
Barandiarán, 1978, p. 417 apud Kunst, 2000, p. 131.

Grajal de Campos, Espanha, Calcolítico.
Duas pontas de seta (tipo Palmela) cravadas nos ossos do crânio. Violência interpessoal.
Etxeberria i Vegas 1988a; Campillo 1995 apud Osgood et al. 2000, p. 47.

Cueva de las Cabras, Espanha, Calcolítico
Várias marcas nos restos osteológicos humanos. Violência interpessoal ou guerra primitiva.
Guilaine e Zammit, 2002, p. 172.

El Puig, Espanha, Calcolítico.
Um crânio de um indivíduo que sofreu uma fractura em curva. Violência interpessoal.
Osgood et al. 2000, p. 47.

Carrelasvegas, Espanha, Calcolítico.
Um indivíduo atirado para uma vala, sem um pé, sem deuses funerários. Violência interpessoal.
Osgood et al. 2000, p. 48.

Los Llometes, Espanha, Calcolítico.
Várias marcas de lesões nos restos osteológicos humanos. Violência interpessoal ou guerra primitiva.
Guilaine e Zammit, 2002, p. 173.

Cerro de la Encina, Espanha, Calcolítico.
Um indivíduo com fracturas nos ossos nasais, outro com fracturas nas costelas e um terceiro com um elevado número de outras lesões. Violência interpessoal ou guerra primitiva.
Osgood et al. 2000, p. 48.

Cerro de la Cabeza, Espanha, Calcolítico.
Uma fossa com onze indivíduos, estes apresentam patologias traumáticas. Túmulo com seis indivíduos com diversos projécteis cravados nos ossos. Guerra primitiva
Mercadal e Agusti, 2006, p. 44-45.

Aitzibita, Espanha, Calcolítico \ Idade do Bronze.
Uma lesão no crânio de um indivíduo provocada por espada ou machado. Violência interpessoal.
Beguiristain Gurpide, 1997, p. 323-325.

Dólmen de Collet Su, Espanha, Calcolítico \ Idade do Bronze.
Uma ponta de seta de metal cravada nos restos osteológicos humanos. Violência interpessoal.
Campillo 1995 apud Osgood et al., 2000, p. 47.

Cova de L´Heure de L’Arboli, Espanha, Calcolítico \ Idade do Bronze.
Uma ponta de seta em bronze cravada no maxilar. Violência interpessoal.
Guilaine e Zammit, 2002, p. 173.

Cerro de Cuchillo, Espanha, Idade do Bronze.
Varões jovens monopolizam as sepulturas debaixo das habitações. Guerra primitiva.
Martínez Peñarroya, 2000, p. 157.

Cerro de la Encantada, Espanha, Idade do Bronze.
Fossas reaproveitadas como sepulturas e inumações de indivíduos acéfalos. Guerra primitiva.
Martínez Peñarroya, 2000, p. 157.

Balma de Sargantana, Espanha, Idade do Bronze.
Grande percentagem de patologias traumáticas. Guerra primitiva.
Mercadal e Agusti, 2006, p. 44.

Caramoro, Espanha, Idade do Bronze.
Um trauma no crânio de um dos indivíduos provocado por uma espada. Violência interpessoal.
Martínez Peñarroya, 2000, p. 157.

Factoria Euskalduna, Espanha, Idade do Bronze.
Fossas reaproveitadas como sepulturas e inumações de indivíduos acéfalos. Guerra primitiva.
Martínez Peñarroya, 2000, p. 157.

Roc d’Orenetes, Espanha, Idade do Bronze.
Fractura em bisel num individuo. Violência interpessoal.
Mercadal e Agusti 2006, p. 44.

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