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Este Blogue é um estudo da Associação Projecto Raia Alentejana e tem como objectivo a discussão da violência em geral e da guerra na Pré-História em particular. A Arqueologia da Península Ibérica tem aqui especial relevo. Esperamos cruzar dados de diferentes campos do conhecimento com destaque para a Antropologia Social. As críticas construtivas são bem vindas neste espaço, que se espera, de conhecimento.

Guerra Primitiva\Pré-Histórica
Violência interpessoal colectiva entre duas ou mais comunidades políticas distintas, com o uso de armas tendo como objectivo causar fatalidades, por um motivo colectivo sem hipótese de compensação.


Thursday, 19 February 2009

Seteiras - Discussão (continuação na Archport)

VICTOR S. GONÇALVES
14 de Junho de 2007

O meu estimável colega Vítor Oliveira Jorge colocou um interessante texto sobre seteiras na ArchPort. Levaríamos dias a discuti-lo, densas como são quase sempre as suas propostas, abertas a análises profundas e justificando por vezes resposta rápida. Tenho evitado fazê-lo, esperando por outros contextos, no caso de eles alguma vez se verificarem, mas não resisto a recordar um pequeno detalhe: o mal de quem muito lê é esquecer sempre qualquer coisa, o que, aliás, é por vezes um mal menor...
Recordo-lhe ainda assim, apenas a propósito das seteiras do Zambujal (e, por extensão, de Los Millares), uma passagem de uma modesta monografia, datada de 1989 e chamada «Megalitismo e Metalurgia no Alto Algarve Oriental», de um certo Victor S. Gonçalves:

«A propósito do Zambujal, as posições nascem evidentemente de outras anteriores e é significativo da preocupação dominante em Sangmeister e Schubart que os primeiros volumes da excelente monografia sobre o sítio comecem exactamente pelas fortificações, admiravelmente registadas, mas interpretadas de forma que não deixa de ser polémica (o que está longe de ser incompreensível).
Particularmente ilustrativo do que digo é a leitura fornecida para as «seteiras» da barbacã, essa impressionante estrutura cuja finalidade não me parece ainda esclarecida. Como compreender, com efeito, os ângulos mortos patenteados (Sangmeister e Schubart, 1981: 34 e 35)? Atribuir a uma não funcionalidade das «seteiras» o abandono de tão dispendiosa construção (dispendiosa em pedra e mão de obra) parece, a uma segunda análise, um verdadeiro non sense: mais «fácil» seria abrir novas aberturas, mais adequadas ao tiro dos arqueiros e corrigir os erros de construção.
Por outro lado, a literatura da especialidade é omissa sobre «seteiras» praticamente ao nível do solo. A abundante bibliografia sobre as fortificações militares de todas as épocas regista e descreve seteiras a meia altura ou em topo de muro recortado. Qualquer arqueiro moderno conhece as necessidades de ângulo livre para um tiro eficaz e o próprio acesso dos atiradores a um espaço relativamente amplo, mas fechado, contradiz as normas de construção militar para períodos anteriores ao uso da pólvora. Até mesmo um besteiro, que devido à orientação horizontal do eixo da besta dispararia razoavelmente do interior da barbacã (uma vez contabilizada a eficácia da protecção contra o tiro do inimigo e a disposição horizontal da sua arma), sentiria dificuldades em cobrir a área. Quanto a um arqueiro convencional, só usando um arco curto teria algumas possibilidades.».
(página 429 )

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